Quando vai cair novamente uma chuva igual aquela? O que parece ser um exercício de adivinhação é, na verdade, um cálculo necessário em obras de construção civil.

Se você trabalha na área, sabe bem o tamanho do impacto que um fenômeno natural pode causar. Enchentes, tempestades, chuvas de granizo, secas e outras intempéries podem causar grandes prejuízos em um projeto. Por isso, a necessidade de termos calculado o período de retorno.

Ele nada mais é do que o período de tempo médio em que um determinado evento é igualado ou superado pelo menos uma vez.

Na prática, isso significa que, ao iniciar um projeto de drenagem, determinamos um período para que o evento, no caso a chuva, ocorra. Assim, devemos saber qual a chance dela cair em semelhante ou maior proporção do que uma que ocorreu anteriormente.

Se determinamos um período de retorno de 10 anos para uma chuva, isso não significa que ela só vai acontecer daqui a 10 anos, mas que durante esse período, pelo menos uma vez, ela vai ser igualada ou superada. Isso está diretamente ligado com a segurança da obra, influenciando diretamente a vazão final do projeto.

Outra definição que podemos dar para o período de retorno é que ele é o inverso da probabilidade da ocorrência de um determinado evento em um ano qualquer. Se definirmos um período de retorno de 100 anos, isso significa que pelo menos uma vez em 100 anos aquela determinada chuva vai ser igualada ou superada — e há a probabilidade de 1% em um ano de que essa chuva se repita.

Período de retorno e o impacto no controle de enchentes

O período de retorno está diretamente ligado com grande parte dos problemas que acontecem na área de controle de enchentes em obras de micro e macrodrenagem. Se essa definição é feita de forma incorreta, todo o sistema de drenagem pode ser prejudicado.

No centro velho de São Paulo, por exemplo, todo período de retorno utilizado para o cálculo das galerias, boca de lobo, guias e sarjetas está calculado em um período entre 2 e 5 anos — muito baixo para uma metrópole como São Paulo, já que o aumento da área urbana também aumenta os índices de chuva.

No resto do Brasil, muitos rios e córregos não foram dimensionados para um período de retorno de 100 anos, o que acaba causando inundações frequentes. O ideal é que, além do dimensionamento em 100 anos, o engenheiro verifique a faixa de emulação da região.

Mapa da curva dos 100 anos

Em alguns países, quando uma pessoa compra um terreno para construir uma casa, a prefeitura disponibiliza um mapa indicando até onde chega a água de inundação, com o período de retorno de 100 anos — o Mapa da curva dos 100 anos. No Brasil, o poder público não possui essa informação, e inclusive realiza construções perto de córregos e rios, o que é um erro grave.

Calculando o período de retorno

Tabela de período de retorno

O período de retorno é demonstrado pela equação: P = 1/T, onde P = Probabilidade e T = Frequência.

Cada construção ou recurso natural tem uma indicação de cálculo para seu período de retorno. Por exemplo: galerias de águas pluviais prediais e públicas ≥ 25 anos (P = 1/25 ou 4%), reservatório de detenção dentro do lote = 25 anos, rios e canais = 100 anos (P = 1/100 ou 1%), bueiros ≥ 100 anos (P = 1/100 ou 1%).

Para ver a chance da chuva não acontecer, basta inverter a fórmula: P = 1 – 1/T. Assim, em um período de retorno de 100 anos, a probabilidade de não ocorrer a chuva em um ano é de 99%.

Vale lembrar que os danos causados por uma inundação vão variar de obra para obra. Por não existir uma norma para a drenagem urbana, o PR vai ser estimado pelas prefeituras e órgãos públicos de cada município. Por isso, confira a tabela local antes de iniciar uma obra.

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Fonte: Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).

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